terça-feira, 7 de abril de 2009

Memória e registros


"Como seria temerário deixar os dados pessoais à mercê da falível memória dos interessados, institui-se esse registro (civil das pessoas naturais) como meio de prova certa do estado das pessoas" [Afrânio de Carvalho].

É a mais pura verdade. Certa vez, iniciei um atendimento no serviço de registro civil, mais ou menos assim:

- Eu quero a certidão de nascimento de meu filho.
- Claro. Qual o nome da criança?
- Não lembro.
- Quando a criança nasceu?
- Não lembro.
- Essas informações são necessárias, para que eu possa proceder às buscas...
- Se você que trabalha aqui no cartório não sabe, imagina eu...

Infelizmente não se trata de um fato isolado. É corriqueiro, no dia-a-dia dos serviços notariais e de registro, encontrarmos pais que não lembram o nome e a idade dos filhos; e filhos que, quando muito, recordam apenas do prenome de seus ascendentes.

A outra conclusão não podemos chegar, senão que o problema reside não só na "falível memória dos interessados", mas também na falência, cada vez maior, da célula familiar.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Da Amazônia para o sertão nordestino...

E segue a busca pelas oportunidades.
No capítulo mais recente, deixei Rondônia para morar em Sergipe.
Depois de um curso extensivo nas "Organizações Rui Barbosa" e de uma passagem relâmpago pelo Tribunal do Trabalho (TRT-14), dou um passou mais longo, nesses quase três anos distante do lar.
Aprovado em concurso público do TJSE, atualmente trabalho na cidade de Porto da Folha, alto sertão sergipano, distante cinco quilômetros do Rio dos Currais.
Essa foi a cidade na qual assassinaram Lampião (Rei do Cangaço). O local, Grota do Angico, pertence hoje ao vizinho município de Poço Redondo. Mas, pelo que se comenta, deixou-se aqui um legado de valentia: não raras vezes as contas se acertam "na bala".
Devido à colonização holandesa, os nascidos aqui são tidos por "galegos".
Talvez por isso algumas pessoas pensem que sou filho desta terra. Mas não precisa muito, apenas a pronuncia de algumas palavras, para que o sotaque me entregue: sou um forasteiro.
Ainda estou em fase de adaptação: outras pessoas, outros hábitos, outra cultura.
Espero que, a exemplo das outras, essa seja uma experiência de vida válida.
E espero a visita dos (corajosos) parentes, amigos e amigas!